Dono de pedreira no Paraná mantinha trabalhadores 'presos ao serviço' alegando dívidas por alimentá-los, diz polícia
06/07/2026
(Foto: Reprodução) Trabalhadores são resgatados de condição análoga à escravidão em Virmond
Os trabalhadores resgatados de uma pedreira em Virmond, cidade de 3,8 mil habitantes da região central do Paraná, disseram à polícia que eram impedidos de deixar o local e ficaram "presos ao serviço" devido ao dono dizer que os operários tinham dívidas com ele por ele alimentá-los.
O empregador tem 48 anos de idade e está sendo investigado pela Polícia Civil por submeter os operários a situação análoga à escravidão.
De acordo com o delegado Luís Leopoldo de Andrade Oliveira Manoel, os trabalhadores eram mantidos em um alojamento improvisado, com condições precárias — sem esgoto, água encanada ou local para armazenamento de comida, por exemplo.
Eles ainda recebiam salários baixos, com a justificativa de que tinham a alimentação e a moradia descontadas do valor.
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" Em conversa com os trabalhadores, eles relataram que eram submetidos a jornadas de 10 a 12 horas por dia e não havia realização de pagamento integral por parte do empregador. Eles relataram que, por exemplo, em 60 dias de trabalho, eles receberam R$ 300", explica o delegado.
O nome do dono da pedreira não foi divulgado pela polícia devido ao caso ainda estar em investigação. Por isso, o g1 não conseguiu identificar a defesa dele.
Trabalhadores eram mantidos em alojamento com condições precárias, segundo delegado
Polícia Civil
A fiscalização aconteceu na quarta-feira (1), após o recebimento de denúncia anônima.
Entre as irregularidades constatadas no local, a Polícia Civil afirma que também identificou que os trabalhadores não recebiam equipamentos de proteção, mesmo trabalhando em ambiente de risco, e que a pedreira não possui licença ambiental para estar em operação.
Inicialmente, explica o delegado, foram encontrados dois trabalhadores nestas condições: um de 39 anos e outro de 49. No entanto, enquanto a equipe estava fazendo a fiscalização, outros dois operários chegaram e afirmaram que também estavam submetidos àquelas condições há cerca de um ano.
O dono da pedreira não estava no local, e se apresentou voluntariamente na delegacia no dia seguinte. O delegado afirma que o homem negou os crimes, mas não apresentou nenhum comprovante de pagamento ou outro documento que comprovasse a sua versão.
Trabalhadores eram mantidos em alojamento com condições precárias, segundo delegado
Polícia Civil
A investigação criminal continua e tem prazo de ser finalizada dentro de 30 dias.
O caso também foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para a análise de sanções no âmbito administrativo.
"A rápida atuação da equipe possibilitou o resgate dos trabalhadores e a adoção das medidas necessárias para a continuidade das investigações e responsabilização dos envolvidos", ressalta o delegado.
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