'Não acredito que houve intenção', diz delegado sobre brincadeira que terminou com morte de menino em escola do Paraná

  • 07/10/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia investiga morte de menino após acidente em colégio de Castro A Polícia Civil trata como acidente a morte do adolescente Luigi Gabriel da Cruz Sales, de 12 anos, após uma brincadeira com amigos em um colégio estadual de Castro, nos Campos Gerais do Paraná. Segundo o delegado Marcondes Ribeiro, o entendimento inicial é que os colegas não tiveram intenção de machucar o menino. "Não acredito, de forma preliminar, que houve uma intenção ou que algum adolescente assumiu risco de produzir resultado morte. Acredito até que não era previsível que, de uma brincadeira que a princípio seria ingênua, sem nenhuma maldade, ocasionaria a morte de alguma criança. Entretanto, como não é uma morte natural, é uma morte completamente extraordinária, nós vamos fazer a apuração bem a fundo", detalhou. ✅ Siga o canal do g1 Paraná no WhatsApp Luigi se machucou no dia 25 de setembro, no Colégio Estadual Professor Basílio Chrum, teve um rompimento no rim e ficou internado por mais de uma semana até morrer neste sábado (4), no hospital. Ele se feriu durante uma brincadeira em que a criança senta, um colega a levanta puxando pelo braço direito, outro colega puxa pelo braço esquerdo e ambos erguem a criança. Na vez de Luigi, porém, ao invés de cair de pé, ele bateu o tórax no chão. "Nesse momento ele já começou a passar mal de dor, já saiu da brincadeira e saiu do ambiente em que eles estavam em direção a outro espaço, para pedir ajuda", explicou o delegado. Câmeras de segurança da escola registraram a queda, mas as imagens não foram divulgadas pela polícia. Luigi Gabriel da Cruz Sales tinha 12 anos Reprodução/Secretaria Municipal de Esportes de Castro LEIA TAMBÉM: Vídeo: Emagrecedores são flagrados sendo contrabandeados dentro de garrafa de refrigerante Crime: Mulher é encontrada esfaqueada; homem diz que ela foi assaltada, mas ela afirma que foi atacada por ele Buscas: Idoso com Alzheimer que saiu sozinho de casa está desaparecido há seis meses Polícia investiga se houve algum crime relacionado à prestação de socorro Luigi foi levado para atendimento médico 40 minutos depois de se machucar e pedir ajuda, conforme o delegado. Segundo o delegado, a escola alega que acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas que a equipe recusou atendimento por entender que não havia prioridade, e que, após ser orientada a levar o estudante para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a equipe pedagógica contatou a mãe de Luigi e a esperou chegar para levar a mulher e o filho até a UPA. Ainda de acordo com o delegado, tudo isso levou 40 minutos, já que a brincadeira que machucou o menino aconteceu às 15h40. A escola fica a 5 minutos da UPA e ele deu entrada na unidade às 16h25. À RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, a mãe de Luigi contou que o filho não tinha ferimentos aparentes, mas estava reclamando muito de dor. Ainda de acordo com ela, na UPA ele passou por uma tomografia e foi descoberto um rompimento no rim. Com isso, ele foi transferido para o Hospital Universitário Regional de Ponta Grossa, onde passou por cirurgia e ficou internado por mais de uma semana até ter a morte decretada. "Vamos verificar se houve uma omissão ou uma inércia no atendimento médico, dado que o fato ocorreu por volta das 15h40 e a criança foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento somente às 16h25; ou seja, tem um lapso temporal muito grande, e vamos verificar se nesse período houve alguma omissão tanto da escola quanto de alguma equipe médica", afirmou o delegado. O delegado explica que ainda não teve acesso aos prontuários médicos e à gravação da ligação entre a escola e o Samu, e que o laudo da perícia, que vai determinar a causa da morte, ainda está sendo confeccionado. Luigi Gabriel da Cruz Sales tinha 12 anos Cedida pela família O que dizem o SAMU e a escola Em nota, o Consórcio Intermunicipal do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (CimSAMU), que atua na região, lamentou o falecimento do estudante e disse que instaurou procedimento administrativo interno para apurar a atuação do serviço no atendimento ao chamado, "com revisão dos registros pela Coordenação Médica da Central de Regulação." "Conforme os registros do CIMSAMU, o primeiro acionamento do SAMU ocorreu às 16h12, relacionado à ocorrência informada à Central como queda de mesmo nível. O atendimento regulatório foi realizado naquele momento e, após a orientação prestada pela regulação médica, o estudante foi encaminhado para avaliação presencial em unidade de saúde. Posteriormente, às 19h10, já durante o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento, o SAMU foi novamente acionado, desta vez para solicitação de regulação e transferência do paciente para serviço de maior complexidade. A partir desse segundo acionamento, foi empenhada Unidade de Suporte Avançado, que realizou o transporte. As informações relativas ao conteúdo da avaliação realizada pela regulação médica, às condições clínicas apresentadas pelo paciente, aos procedimentos assistenciais, exames, evolução do quadro e demais elementos constantes dos registros de atendimento estão submetidas ao dever de sigilo profissional e, por essa razão, não serão aqui divulgadas", diz a nota. A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), responsável pelo colégio onde aconteceu a situação, emitiu uma nova nota nesta terça-feira (6). Além de lamentar o falecimento e afirmar que uma comissão de verificação foi instaurada para a verificação do caso, a Seed também citou o que a equipe pedagógica relatou. Veja: "Durante o recreio, Luigi e um grupo de colegas participavam de uma brincadeira e o mesmo teve uma queda. A equipe escolar prestou os primeiros atendimentos e acionou o Samu, sendo orientado o encaminhamento à UPA. A mãe do estudante foi comunicada e acompanhou o filho desde os primeiros atendimentos. Na unidade de saúde, foram realizados exames e, posteriormente, o estudante foi transferido para uma unidade hospitalar, onde passou por cirurgia, mas apresentou complicações e teve a morte cerebral declarada no domingo (4)". A Seed dispensou os alunos do colégio na segunda-feira (5) e, no lugar das aulas disciplinares, disponibilizou acolhimento e apoio psicossocial. Luigi Gabriel da Cruz era atleta da Secretaria Municipal de Esportes de Castro. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2026/10/07/nao-acredito-que-houve-intencao-diz-delegado-sobre-brincadeira-que-terminou-com-morte-de-menino-em-escola-do-parana.ghtml


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