Sangue em carro, sumiço de dinheiro e depoimento de testemunhas: como provas contrariaram versão de suspeito de matar idosa no PR

  • 01/08/2026
(Foto: Reprodução)
Delegada explica como provas contrariaram versão de suspeito de matar idosa no PR Depoimentos de testemunhas, sumiço de R$ 20 mil e sangue encontrado no carro de Elísio Basílio da Silva, de 60 anos, contribuíram para que a polícia confrontasse a versão apresentada por ele no depoimento sobre a morte de Eulália Farias Pinheiro, de 70 anos. Para a delegada Angélica Ferreira, os elementos técnicos e testemunhais comprovaram o envolvimento dele no assassinato da vítima e foram suficientes para indiciá-lo pelo crime de latrocínio. Elísio está preso preventivamente desde o dia 22 de julho. O g1 tenta identificar a defesa dele. ✅ Siga o canal do g1 Maringá e Região no WhatsApp Eulália foi vista com vida pela última vez no dia 15 de junho, quando saiu de casa sem avisar a família e pegou um ônibus em direção à rodoviária de Maringá. De acordo com o relato de uma amiga, a mulher pretendia comprar uma propriedade em Nova Londrina, na região noroeste do estado. O corpo dela foi encontrado um mês depois. Eulália tinha 70 anos e Elisio confessou crime. Cedida pela família/PC-PR Segundo a delegada, Elísio disse em depoimento que tinha um relacionamento com Eulália. Ele alegou que, após buscá-la na rodoviária, foram para uma ponte em cima do Rio Tigre e tiveram uma discussão "acalorada". Segundo o suspeito, durante o desentendimento, a idosa teria caído acidentalmente na água. "Segundo consta dos autos, Elisio declarou que mantinha relacionamento extraconjugal com a vítima há cerca de um ano e afirmou que se sentia, nas palavras dele, chantageado pela. Eulalia, que teria ameaçado revelar o caso à sua esposa, caso ele não continuasse se encontrando com ela", disse a delegada. Angélica contou que o suspeito negou ter empurrado ou enforcado Eulália, e que não a socorreu e fugiu do local por medo. Contudo, a polícia encontrou manchas de sangue no carro dele, cujas amostras foram coletadas e passarão por exames. Elísio também negou ter roubado a idosa e disse que, quando se encontraram, ela estava sem bolsa. "A versão foi contrariada por testemunhas que viajaram ao lado dela horas antes e descreveram em detalhes uma bolsa que a senhora Eulália mantinha junto ao corpo, da qual não se separava em nenhum momento e se mostrava bastante preocupada com o conteúdo dessa bolsa", disse a delegada. Conforme a polícia, também foi comprovado que Elísio se aproximou de Eulália "ocultando a identidade", "evitando ser visto pela família dela", e se apresentou como "simples prestador de serviços de pintura". Para a delegada, essa aproximação teve finalidade patrimonial. Também foi apurado que Eulália entregou documentos pessoais e sacou valores expressivos em espécie dias antes de ser assassinada. Segundo a delegada, foram R$ 20 mil que, até o momento, não foram encontrados. "Por isso, entendemos que os elementos técnicos e testemunhais colhidos nos autos são suficientes para indicar a responsabilidade de Elísio pela morte da senhora Eulália, dentro de uma dinâmica que se assemelha à de golpe patrimonial", finaliza a delegada. O inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Como a polícia chegou até o suspeito Para confirmar a identidade de Elísio, a Polícia Civil contou com pistas obtidas por meio de um bilhete deixado por Eulália e um pedido em uma oração. A delegada informou que, quando a morte de Eulália foi confirmada, a família olhou os pertences dela e encontrou um bilhete com o nome de Elisio escrito, seguido de um telefone. Também localizaram uma oração em que ela pediu pelo relacionamento dos dois e que o suspeito conseguisse um emprego. A polícia não divulgou imagens dessas pistas. Essas provas foram somadas às apurações da polícia, que confirmaram o nome do suspeito. "Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência do investigado, foram apreendidos celulares, bem como o veículo utilizado no dia do crime", disse a delegada. Relacionamento entre vítima e suspeito A advogada que representa a família de Eulália, Josiane Monteiro, disse à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que a mulher e o suspeito se conheceram há aproximadamente um ano, em uma clínica oftalmológica. Desde então, os dois ficaram em contato por mensagens. Em outras situações, Elisio levou Eulália e outras duas pessoas até Loanda, também na região noroeste do Paraná, e pintou a casa dela. "Quando ele [Elisio] foi até a casa da Dona Eulália, ele usava chapéu, sempre o chapéu baixo. Não gostava de falar quando alguém chegava", a advogada disse. Segundo a família, Eulália Farias Pinheiro, de 70 anos, desapareceu após viajar para cidade vizinha para comprar propriedade. Cedida/Josiane da Silva Lima A delegada disse que, quando Eulália chegou a Nova Londrina no dia 15 de junho, Elisio a recebeu na rodoviária. Entretanto, ele esperou os outros passageiros saírem para que ele não fosse reconhecido. A investigação também apurou que "o investigado se aproximou da vítima de forma dissimulada, obtendo sua confiança e acesso a seus bens em circunstâncias que antecederam sua morte", a delegada explicou. Leia também: Atualização: Jovem que desapareceu após viajar para passar férias na casa dos pais no Paraná é encontrada com vida Relembre o caso: Homem visto com sangue nas mãos em hospital do Paraná é condenado por assassinato de ex-companheira Atentado a tiros no PR: MP considera que mãe de suspeito foi omissa e a denuncia Desaparecimento e morte confirmada Imagens mostram idosa indo até rodoviária antes de desaparecer no Paraná Segundo a família, a última vez que Eulália deu notícias foi no dia 15 de junho, quando saiu de casa sem avisar os filhos e pegou um ônibus de Maringá para Nova Londrina. De acordo com o relato de uma amiga, Eulália pretendia comprar uma propriedade na cidade. A filha de Eulália, Josiane da Silva Lima, contou ao g1 que a mãe saiu de casa cedo e pegou um ônibus em direção à rodoviária de Maringá. Imagens de câmeras de segurança registraram a mulher fazendo o trajeto. Veja no vídeo acima. Josiane afirma que a mãe comprou uma passagem para Nova Londrina e embarcou no ônibus. Segundo a filha, foi confirmado que Eulália desembarcou na cidade às 12h41. Momento em que corpo foi recolhido. PC-PR No dia em que Eulália sumiu, um dos filhos tentou ligar para a mãe, mas o celular estava desligado. Ela chegou a responder uma mensagem às 12h31, mas, a partir das 12h46, não esteve mais online e não deu mais notícias. A filha também descobriu que Eulália foi a dois bancos para sacar dinheiro, uma semana antes de viajar. Contudo, ainda não se sabe qual quantia foi retirada. No dia 14 de julho, um corpo foi encontrado em Porto Tigre, em Nova Londrina, por um pescador. Como estava em estado avançado de decomposição, ele foi levado para a análise, passou por exames e foi reconhecido por meio da arcada dentária. O resultado foi divulgado seis dias depois pela Polícia Civil, confirmando ser de Eulália. Josiane afirma que a mãe era lúcida, sempre foi muito independente e nunca deixou de dar notícias aos familiares. "Nosso pai faleceu muito cedo, há mais de 30 anos, e ela sempre cuidou demais dos filhos. Sempre foi mãe e pai, então mandava mensagem para nós todos os dias. Jamais ia ficar sem falar com a gente por querer. Tanto que, desde o primeiro dia, já sentimos falta e já desesperamos", informou Josiane. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/08/01/provas-contrariaram-versao-de-suspeito-de-matar-idosa-no-pr.ghtml


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